Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana. Carl Jung

Carl Jung

Dr. Carl Gustav Jung, foi uma das pessoas que deixou um verdadeiro legado para a humanidade. Foi com certeza um dos maiores pensadores da sua época, um homem original, cujas ideias são hoje mencionadas até mesmo por pessoas que nunca ouviram falar do grande psiquiatra suíço. 

Provavelmente, você leitor, já utilizou ou ouviu as expressões “introvertido”, “extrovertido”, “inconsciente coletivo” entre outras. Esses conceitos foram desenvolvidos e aplicados dentro da sua teoria. Aqui teremos um breve descrito sobre quem foi esse homem e suas principais ideias.

Carl Gustav Jung nasceu em 26 de julho de 1875, na Turgóvia – Suíça, com formação médica em psiquiatria. Fundou a Psicologia Analítica e desenvolveu os conceitos de personalidade extrovertida e introvertida, arquétipo e inconsciente coletivo. Sua teoria tem influência na psiquiatria, psicologia, ciências de religião, literatura.

A Psicologia analítica explora a importância da psique individual e sua busca pela totalidade. “Jung contribuiu para popularizar termos comuns da psicologia, como “arquétipo”, o significado de “ego” e a existência de um inconsciente coletivo”. 

Em 1907 Jung teve seu primeiro contato pessoal com Freud. O primeiro encontro entre estes grandes pensadores durou cerca de 13 horas contínuas de conversação. Apesar de Freud ser, naquela ocasião, fortemente criticado no meio acadêmico, Jung viu grande valor em seu trabalho. De 1907 até 1912 houve grande colaboração entre Jung e Freud, sendo que este via em Jung seu sucessor para conduzir a psicanálise adiante. Em 1910, por influência de Freud, Jung assumiu a presidência da Associação Psicanalítica Internacional.

Apesar da grande amizade e admiração mútua, as diferenças entre eles foram ficando cada vez mais nítidas. Entre outros pontos, Jung não aceitava a visão de Freud de que toda repressão tinha origem em traumas sexuais, enquanto Freud rejeitava o interesse de Jung pelas questões espirituais e mitológicas.

O livro de Jung Metamorfoses e Símbolos da Libido (1912) ressaltaram importantes divergências teóricas que o levaram a separar-se definitivamente de Freud, incluindo sua ideia de libido como uma energia psíquica generalizada. Os dois gênios tinham caminhos diferentes a percorrer.

Jung rompeu sua ligação com o grupo psicanalítico e gradualmente desenvolveu as teorias da sua Psicologia Analítica (ou Psicologia Junguiana). Ele era muito culto em filosofia, mitologia e literatura tendo pesquisado dedicadamente o pensamento de diversas culturas, inclusive orientais.

Um de seus livros mais influentes, “Tipos Psicológicos”, Jung analisa os padrões da personalidade e comportamento que compõem as singularidades de um indivíduo. Para o psiquiatra, todas essas características são resultado da maneira única como cada pessoa opta por utilizar suas capacidades mentais.

Jung afirma que existem duas “atitudes” opostas, conhecidas como extroversão e introversão: cada indivíduo parece dividir sua energia entre o mundo externo e interno, em diferentes escalas. O introvertido se sente mais confortável com seus próprios pensamentos e sentimentos enquanto o extrovertido se sente “em casa” quando lida com outras pessoas e objetos, além de prestar mais atenção sobre seu impacto diante do mundo — introvertidos, por sua vez, costumam observar como o mundo ao seu redor os afeta. 

Ao contribuir com sua teoria sobre “tipos” psicológicos, Jung também mostrou que pessoas pensam, sentem e experimentam o mundo de maneiras distintas. Ele identificou quatro funções psicológicas fundamentais: 

Sensação, 

Pensamento, 

Sentimento 

Intuição. 

 

Cada uma delas pode operar tanto através do indivíduo introvertido como do extrovertido. Normalmente, apenas uma dessas características é mais dominante — a chamada “função superior”. As demais funções são mantidas no inconsciente, menos notáveis e desenvolvidas.

 

Resumindo, devemos ter uma função que indique algo que existe — a sensação, outra, o pensamento, estabelece o que isso significa; a terceira declara se aquilo nos convém e se queremos aceitar essa coisa ou não,  o “sentir”  e a última, a intuição, serve como uma percepção inconsciente das coisas, indicando “de onde vieram e para onde está indo”.

Seres da mesma espécie compartilham semelhanças em suas “mentes inconscientes”

 

Segundo Jung, nascemos com uma herança psicológica, assim como a herança biológica. As duas são importantes para determinar traços de comportamento: “assim como o corpo humano representa um ‘museu de órgãos’, cada um com um longo período evolutivo por trás dele, devemos esperar que a mente também estivesse organizada desta forma”. O psiquiatra enfatiza que o inconsciente coletivo é o centro de todo aquele material psíquico que não surge a partir da experiência pessoal. Seu conteúdo e imagens parecem ser compartilhados por pessoas de todas as épocas e culturas, enquanto o inconsciente pessoal envolve o passado e memórias de cada indivíduo. O conceito afirma que nossa mente já nasce com uma estrutura capaz de determinar seu desenvolvimento no futuro e sua interação com o meio em que vive.

 

Os elementos comuns no inconsciente coletivo são chamados de arquétipos, ideias e imagens herdadas para responder ao mundo de certas maneiras. Jung identificou-os ao notar que vários pacientes descreviam sonhos e fantasias que incluíam referências que não poderiam ser rastreadas em seus passados pessoais. O estudioso também observou que muitos desses elementos envolvem figuras e temas religiosos encontrados em diversas culturas e mitologias.

 

O ego é o centro do consciente humano


Para Jung, o ego é um dos principais arquétipos da personalidade e o centro da consciência. Ele fornece direção às nossas “vidas conscientes” e tenta nos convencer de que devemos sempre planejar e analisar nossas experiências conscientemente. A explicação é parecida com a versão do psicanalista Sigmund Freud: o ego surge do inconsciente e reúne várias memórias e experiências, desenvolvendo assim a verdadeira divisão entre o inconsciente e consciente.

 

Todo indivíduo assume uma “máscara” sobre o inconsciente coletivo


Outro arquétipo, a persona é a aparência que apresentamos ao mundo, o personagem que assumimos perante a sociedade, incluindo nossos papéis sociais, as roupas que vestimos e a maneira como nos expressamos. Todos os indivíduos passam por essa adaptação, que tem aspectos negativos e positivos. A persona pode ser crucial para o desenvolvimento da personalidade, quando o ego passa a se identificar com o papel que desempenhamos. De acordo com Jung, é comum derrubarmos essa identificação para aprender quem somos de verdade no processo de individualização, mas é possível que as pessoas também passem a acreditar de verdade nessa “máscara” ilusória da persona. Membros de grupos minoritários tendem a ter problemas de identidade causados pelo preconceito cultural e a rejeição social de seus personagens.

 

“Mesmo uma vida feliz não pode existir sem um pouco de escuridão”

 

Carl Gustav Jung morreu a 6 de junho de 1961, aos 85 anos, em sua casa, nas margens do lago de Zurique, em Küsnacht, após uma longa vida produtiva, que marcou e tudo leva a crer que ainda marcará mais a antropologia, a sociologia e a psicologia, e também, em outros campos como a arte, a literatura e a mitologia.

Encontra-se sepultado no Cemitério da Igreja Protestante, em Küsnacht, no cantão de Zurique, na Suíça.

20 frases de Carl Jung, que propicia o autoconhecimento:

 

  1. “Até que você torne o inconsciente em consciente, aquele irá direcionar a sua vida e você irá chamá-lo de destino.”
  2. “Tudo que nos irrita outros pode nos levar a uma compreensão de nós mesmos.”
  3. “A reunião de duas personalidades é como o contato de duas substâncias químicas: se houver alguma reação, ambas são transformadas.”
  4. “Você não se torna iluminado imaginando figuras de luz, mas sim ao tornar a escuridão consciente. Porém, esse procedimento é desagradável, portando, não popular.”
  5. “Conhecer a sua própria escuridão é o melhor método para lidar com as trevas das outras pessoas.”
  6. “Se você é uma pessoa talentosa, isso não significa que você ganhou algo. Significa que você tem algo a oferecer.”
  7. “Erros são, no final das contas, fundamentos da verdade. Se um homem não sabe o que uma coisa é, já é um avanço saber o que ela não é.”
  8. “Sua visão se tornará clara somente quando você olhar para o seu próprio coração. Quem olha para fora, sonha; quem olha para dentro, desperta.”
  9. “As pessoas vão fazer qualquer coisa, não importa o quão absurdo, para evitar olharem para suas próprias almas.”
  10. “Solidão não é não ter pessoas ao seu redor, e sim ser incapaz de expressar coisas que parecem importantes, ou de perceber certos pontos de vista que os outros acham inadmissíveis.”
  11. “A depressão é como uma mulher vestida de preto. Se ela aparecer, não a afaste. Convide-a para entrar, ofereça-lhe um assento, trate-a como uma convidada e ouça o que ela tem a dizer.”
  12. “Um homem que não tenha passado pelo inferno de suas paixões, nunca irá superá-las.”
  13. “Sua percepção se tornará clara somente quando você puder olhar para dentro de sua alma.”
  14. “O pêndulo da mente oscila entre sentido e absurdo, não entre certo e errado.”
  15. 15. “O que você resiste, persiste.”
  16. “Um sonho é uma pequena porta escondida no santuário mais profundo e mais íntimo da alma, que se abre para a noite cósmica e primordial, que é a alma, muito antes de existir o ego consciente.”
  17. 17. “Nós podemos pensar que conseguimos controlar totalmente a nós mesmos. No entanto, um amigo pode facilmente revelar algo sobre nós e do qual não temos absolutamente nenhuma ideia.”
  18. “Tudo o que diz respeito às outras pessoas que não nos satisfaz, nos ajuda a entender melhor a nós mesmos.”
  19. “Eu não sou o que aconteceu comigo, eu sou o que eu escolhi ser.”
  20. “Não se apegue a quem estiver partindo porque assim você não irá conhecer quem estiver chegando.”