Por: Roberto Clementino

 

Júlio, menino classe média, construído sob valores cristãos e de pais rígidos que se preocuparam em talha-lo com integridade, voltado para o social, e pecaram no trato mais afetivo, cultura típica dos anos 70, certamente educado com cobranças de comportamento além da idade, sobre o qual havia muitas expectativas, cobrança excessiva, pouco reconhecimento de seus feitos, eram filhos preparados para darem certo, para sobreviverem na selva de pedras, preparados para lidarem com questões práticas, e aprenderem por si só a lidar com suas questões emocionais.

Como esperado, Júlio hoje um homem de meia idade, disciplinado, focado no fazer, estressado, com valores extremamente rígidos, lutando diariamente contra o represamento dos sentimentos com os quais não sabe lidar, entende que deve dar ao mundo sua percepção do que é correto e passa os dias digladiando contra imperfeições com que encontra e quer repará-la a qualquer custo, comprometendo toda suas relações, sobretudo as mais próximas.

Júlio encontra muita dificuldade para se divertir, e o faz predominantemente em condições extremamente adequadas e pré-estabelecidas como condições ideais para ele.

Júlio hoje se depara diariamente como uma sociedade completamente transformada pelo tempo, globalização, flexibilização e tecnologia e se pergunta diariamente, eu sou E.T?

Que mundo é esse?

E encontra grande dificuldade para se adequar.

Pensadores nos mais diversos livros de autoajuda dizem que a mudança começa em você, e eu concordo, mas para Júlio isso não faz muito sentido, ou até faz, mas ele não sabe como integrar e expressar suas angústias.

  • Então ele adoece, sinais e sintomas do que ouso chamar de “câncer psíquico”. Muitos leitores vão se identificar com um ou outros aspectos da vida de Júlio e passam a utilizar a linguagem do estresse para justificar seus comportamentos. São as reações corporais de adaptação, de proteção, defensivas ou ofensivas, ligadas a distúrbios fisiológicos, como insônia; cansaço; dor de cabeça; agitação; tristeza e irritabilidade; dificuldade em se concentrar e falhas na memória; queda de cabelo; perda ou ganho de peso;

Vemos expressão de estresse nos transito, relações comerciais, interações sociais, imediatismos, em pequenos, médios ou grandes acontecimentos ou circunstâncias que desencadeiam memória que nos colocam a reagir com intensidade expressando todo nosso descontentamento e irritação pois todo nosso olhar perpassa pelo julgamentos e condenações do que achamos correto e inegociável.

Soma-se a isso a mídia televisiva que explora, com êxito situações em que pessoas deixaram seus instintos, que explicam o comportamento animal, sobretudo com relação a comportamentos que favorecem a sobrevivência da espécie (acasalamento, busca de alimento, proteção, fuga) e está presente em todo seu humano, um lado animalesco e irracional e manifestar-se.

Diante disso Júlio adota a postura de condenar e julgar até para se proteger da suas próprias imperfeições o que por sua vez o afasta da sua busca por equilíbrio e saúde mental.

Tais eventos potencializam a irritabilidade de vários Julius que ao nosso redor.

O maior indício desse “câncer” é que apesar de repudiarmos essas notícias que chamamos de sensacionalistas ou trágicas,  temos prazer em acompanhar esses desatinos.

CARO LEITOR, TODA VEZ EM QUE VOCÊ SE PUSER A COMENTAR TAIS EPISÓDIOS, INTERROMPA SEU PENSAMENTO E SE PERGUNTE:  POR QUE ME PUS A JULGAR ALGUÉM SE TAMBÉM ESTOU SUSCETÍVEL A ESSE COMPORTAMENTO?

Parafraseando Shakespeare há mais coisas entre o céu e a terra que nossa vã sabedoria não consegue compreender…

Chamemos o céu de emoção e terra de razão, o que poderia haver entre eles?

Poderíamos dizer o autocontrole para dosar adequadamente tais vetores.

O exercício de não mais julgar ou se irritar perpassa por tai vetores, para voar precisamos de duas asas, uma só nos colocara num looping sem fim.

Tal como exposto no caso do Júlio, doutrinar a mente de Júlio contra o caminho já tão conhecido não é difícil, mas trabalhoso, há que se pagar um preço, Júlio estaria disposto a pagar?

Seria isso então a premissa dos livros de auto ajuda – Comece mudando a si!

A base de não julgar o outro nos permite abrir a porta do pensar, um pensar analítico livre de condenação, considerando o “sair da ilha para ver a ilha”.

O questionamento que sugerimos acima é uma forma simples e imediata de diante de um estímulo, mudar a percepção que atende sua necessidade (calma, diversão, leveza)  a fim de gerar o sentimento que pode contribuir para sua cura.

Imagine que você não consegue dosar sua porção racional com a porção irracional e começa o dia ruim e tende terminar assim

Nos viciamos em buscar defeitos nos nossos pares, defeitos ao nosso redor para alimentar nossos desequilíbrios.

A propriedade que outro tem de ser nosso espelho não é reconhecida em nós.

Diante dos fatos do dia a dia evidentemente tudo passa por uma ideia preconcebida já internalizada o que nos torna um juiz de condutas alheias.

Na nossa visão há que se destacar que o homem tende a um pré conceito para se dirigir ao mundo, de outra forma seria arriscado e perigoso e porque não até inocente, estar no mundo sem nenhum conceito inicial que o proteja e há uma outra coisa com a qual nos confundimos que é “preconceito” – qualquer opinião ou sentimento concebido sem exame crítico (definição de dicionário).

Ambos os conceitos, pré conceito e preconceito, no ser humano se confundem, daí a motivação a sermos juízes da situação alheia, e aqui outra observação pertinente, nós não fomos habituados a ver filmes, só fotos, momentos estanques da falta de controle alheia.

A fusão dos verbetes acima gera em nosso psiquismo ato falho, nos colocarmos perfeitos diante das imperfeições inata ao ser humano.

Neste ponto convido o leitor a refletir sobre sua própria vida, veja como a cada tempo nos impomos mudanças e novos desafios, mas que ao passar do tempo o êxito parece insuficiente ao que nos propusemos, olhando para o passado notamos nosso colega Júlio, lamuriando de seus infortúnios e praguejando, parece que ele se tornou vítima do destino implacável e que por mais que lute se depara dizendo…

Nada muda tudo segue a mesma porcaria de sempre, só jogando uma bomba e começando do zero…

Você que está lendo, tem disposição a aumentar a sua compreensão e ver o filme todo do próximo para poder minimamente entendê-lo?

O que faz a nossa imaginação tomar por um evento e ser capaz de julgar a vida toda de alguém, isso  não nos coloca numa posição mais confortável?

A resposta é sim, claro, mas cada vez mais distantes de nós mesmos, cada vez mais Júlios.

Queixosos e com uma sensação paranoica incrível de perseguição de irritação e dissabores que podem facilmente nos conduzir a uma patologia mais severa, gostaria de uma pausa dos senhores a refletir sobre a seguinte frase:

Todo problema traz em si a semente da solução …

Foi isto que os livros de autoajuda não deram a Júlio, ele segue intrépido achando que uma intervenção divina causará a mudança do destino a qual ele se sente imantado.

Mas sem entender que ele é o milagre,

Que algo intangível se apresentará quando ele aprender a balancear a razão e a emoção.

Mas nesta altura da vida Júlio já está tão plenamente cheio de preconceitos que não se furtará a direcionar todas suas mazelas condenando o vizinho, sociedade família, política…

A cura de Júlio só tomará corpo face a uma tragédia, algum evento externo que abale Julio ou opção de ser o milagre, ele deve seguir o esforço de se conter e antes de julgar se perguntar:

Como posso gerar valor em mim de transformação para obter a única coisa que me faz sadio e sociável?

Preencha agora leitor a seu gosto, ser feliz, ser saudável?

Ser melhor para minha família?

Substitua a tendência do ir para a crítica severa ou julgamento por essa questão e automaticamente você corrigirá em si defeitos que por vezes insistimos em imputar a algo ou alguém.