Estresse

 

Estresse é um conjunto de reações orgânicas e psíquicas de adaptações que o organismo emite quando é exposto a qualquer estímulo que excite, irrite, amedronte ou o faça muito feliz.

O estresse pode ser uma força positiva, motivando o indivíduo a performar melhor e só causa um real impacto na saúde daqueles que são submetidos a estressores intensos ou contínuos.

Se você lida mal com situações de pressão, tem baixa tolerância à frustração, tem dificuldades de se adaptar a mudanças, fica remoendo por horas e até dias situações estressantes, se tem dificuldade de superar situações difíceis você é um forte candidato ao estresse, uma resposta física do nosso organismo a determinados estímulo. A manutenção de um estado de estresse por longos períodos pode ser prejudicial à saúde.

Para a Organização Mundial de Saúde (OMS), o estresse é definido como a doença do século XX, correspondendo a maior epidemia mundial, sendo um dos maiores inimigos da saúde e da produtividade. A OMS reconhece o estresse como uma doença que atinge mais de 90% da população do mundo.

Como se prevenir?

 

Não há como se prevenir de todas as adversidades, por mais que sejamos cautelosos, o estresse faz parte da vida. O estresse nos tira o equilíbrio emocional, tendemos a dar manutenção a pensamentos negativos, e tencionar todos nossos músculos, reações desagradáveis, mas necessários pois nos preparam para lidarmos com perigos e ameaças.

Diante de perigos e ameaças inesperadas – “estresse agudo”, aciona-se nosso instinto de sobrevivência, aciona-se um sistema conhecido com luta ou fuga, quando está possibilidade não é viável, pode lançar mão de até uma condição paralisante como no caso de um assalto.  Algumas vezes estresse agudos ficam registrados como traumas emocionais.

No dia a dia, há um estresse não tão intenso, mas quando estressores estão presentes por períodos prolongados e vem de várias fontes – estresses crônicos  – decorrentes de exigências, demandas, incertezas, conflitos e perdas, como por exemplo pressão trabalho, competição, falta de trabalho, problemas de relacionamento, solidão e doença na família.

Há ainda indivíduos mais sensíveis ao estresse, costumam ter reações emocionais à frustração, raiva, tristeza e impotência, além disso pode causar prejuízos como insônia, contraturas e dores de cabeça entre outros sintomas.

A vida sempre nos apresenta estressores, é necessário uma boa dose de resiliência, ter a capacidade de se recuperar ao passar por estresse, se adaptar a mudanças, aprender com as adversidades.

Como lidar com o estresse?

 

Para lidar melhor com os eventos adversos e nos estressarmos menos, aprender a perceber que o tamanho dos obstáculos depende da maneira que reagimos e lidamos com eles, é importante não perdermos o eixo pois compromete nosso desempenho. Devemos aprender a refletir sobre sua sensibilidade e capacidade de lidar com eventos adversos e imprevisíveis e perceber suas faces, perceber como reagimos a eles.

Temos que aprender a identificar os tipos de estressores mais importantes e significativos na sua vida, onde reagimos mal, quais contextos do seu passado e do presente que  afetam a sua percepção e elevam o nível de estresse.

Indivíduos reagem diferentemente à forma de lidar com desconforto de situações diversas que geram stress, vão buscar proteger-se da ansiedade de enfrentar suas fraquezas, utilizam de “mecanismos de defesa”.

Alguns indivíduos utilizam-se de um modo de auto proteção. Protegem-se deixando o problema do lado de fora para não se envolver-se em circunstâncias desagradáveis que podem torná-lo vulnerável, uma tentativa de negar as vulnerabilidades para diminuir o estresse.

Outros indivíduos utilizam-se da negação, mais um mecanismos de defesa que tem a função de evitar enxergar a realidade, e as suas consequências, poupando energia emocional.

Quando você usa a negação, você simplesmente se recusa a aceitar a verdade ou a realidade de um fato ou experiência. “Não sou um alcoólatra, eu bebo socialmente,” “eu uso drogas mas paro quando eu quiser”, “comprei em uma promoção para justificar compras compulsivas” ou “eu vou parar assim que ganhar quando nega os jogos de azar”, e similares são exemplos de mau hábitos que são negados porque o indivíduo deseja distanciar-se dessas situações para proteger a autoestima e o seu próprio comportamento.

negação 

 

também pode ser utilizada por vítimas de traumatismo ou desastres e pode mesmo ser uma resposta protetora inicial benéfica.

No longo prazo, porém, a negação pode impedi-lo de incorporar informações desagradáveis sobre você e sua vida e ter consequências potencialmente destrutivas.

Outro modo de defesa é a projeção, que pode ser entendida como “a culpa é do outro”.

O ser humano tende culpar os outros, tende a colocar a culpa em outras pessoas ou fatores externos para justificar seus comportamentos, posturas ou resultados que não foram considerados satisfatórios.

É muito comum se esconder atrás dos muros criados pela própria mente para se defender das frustrações, mesmo que isso aconteça de maneira inconsciente: por mais que o indivíduo saiba que cometeu um erro, sua mente ativa mecanismos defensivos que tentam encontrar maneiras de fazer com que ele escape da culpa, encontrar culpados se tornou um hábito do ser humano: se está sofrendo é porque alguém está causando este sofrimento, se algo não deu certo é porque alguém conspirou contra você, e assim por diante.

Essa postura faz com que a pessoa acabe gastando muita energia desnecessariamente, visto que é uma grande perda de tempo tentar encontrar culpados pelo fracasso e isso tende a gerar stress, além de ser um sinal de imaturidade emocional.

A Vitimização

 

Há também pessoas que se disfarçam de falsas vítimas, consciente ou inconscientemente – a vitimização é utilizada para simular uma agressão inexistente e, também culpando os outros para se livrar de toda a responsabilidade.

Na verdade, a vitimização pode levar a um distúrbio paranóico quando a pessoa insiste em culpar continuamente os outros pelos problemas. Além disso, esta forma de encarar o mundo, por si só, leva a uma visão pessimista da realidade, o que perturba tanto a pessoa reclamando e quem leva a culpa.

O autoengano é um processo inconsciente de autodefesa. Esse tipo de reação surge para diluir o medo e a ansiedade que surgem quando há um conflito entre a pessoa que quem nós pensamos ser e a pessoa que nós queremos ser, uma tentativa de distorcer os fatos para invalidá-los e tentar escapar de suas consequências

 

Autopunição como ato de punir a si mesmo, uma punição que um indivíduo inflige a si mesmo, movido por um sentimento de culpa cujo objetivo é diminuir o estresse que corrói a alma impedindo de ser sua verdade, sua autenticidade. Trazendo para si o problema, o pensamento.

 

A autopunição

 

como modo de diminuir o estresse corrói nossa alma e que muitas vezes nos impede de sermos nós mesmos, achamos que somos nós o problema, o pensamento assume um viés derrotista e catastrófico. Nos assumimos como problemático ou defeituoso para baixarmos expectativas em nós e o que acontece na nossa vida

Por exemplo não atingir objetivos – disparam culpa, vergonha, arrependimento, autojulgamento

Como se pode perceber estes mecanismos de defesa parecem mas não são eficientes, no entanto o fazemos naturalmente, um ou outro, ou vários deles, constantemente.

Um possibilidade saudável é reger-se pelo autoconhecimento, postura diante da vida, uma modo de fazer bem pra si, mover-se pela curiosidade e vontade de evoluir nos faz o que nos leva a investigar internamente de que forma contribuímos para nossa própria realidade e para as situações da vida, como são e quais  são as adversidades constantes e repetitivas para buscarmos maneiras de resolver nossas questões e nos melhorarmos como pessoa.

Há consequências?

 

Dentro dos contextos de vida, a maneira como percebemos os eventos estressores faz uma enorme diferença no impacto que ela tem no nosso bem estar e eles sempre vão existir: mudanças, questões familiares, crise financeira, novo trabalho, pressão trabalho, gravidez, separação… exige adaptação.

Há indivíduos que se creem incapaz frente aos desafios, não se veem com apoio e perdem diante da experiência o desafio enriquecedor.

Tudo é um desafio enriquecedor, nem todos os fatores estão contra ou a favor, é comum nem termos pensado sobre essa questão, por isso tome consciência de si,  do que vive, busque a percepção mais clara para vivenciar as emoções com mais leveza e entusiasmo

Abra mão de crenças que não nos servem mais, é normal resistir às mudanças em vez de aceitá-las, é normal medo e excitação ao mesmo tempo.

Algumas necessidades não vão ser satisfeitas, assim como surpresas agradáveis poder acontecer.

São fases de instabilidade e mistura de sentimentos aprenda a refletir sobre a sua sensibilidade e capacidade de lidar com o estresse, aprenda a identificar os tipos de estressores mais importantes da sua vida, aprenda a analisar os contextos do seu passado e do presente que afetam a percepção do estresse e principalmente em que grau o seu estresse é causado por você mesma.

Aprender a regular suas emoções e usá-las a seu favor, você tem ferramentas internas para desenvolver estratégias de controle, assim poderá aperfeiçoar sua capacidade para lidar com conflitos com flexibilidade mental e a visão otimista para tirar proveito das adversidades.

Transforme o estresse em aprendizado!

Djanira Soares, psicanalista, enfermeira. Em seu trabalho, utiliza a psicanálise, a técnica da Terapia Sistêmica, Eneagrama, Neurociência  considerando o homem bio-psico-social e espiritual para levá-lo ao seu maior equilíbrio possível.