Você tem sonhos que não consegue compreender o seu significado?

Você já trocou sem querer o nome de uma pessoa?

Essa troca pode ter sido um ato falho, que, segundo a psicanálise, ocorre quando alguém diz o que está pensando e não o que quer dizer de fato.

Diversas pequenas confusões do dia a dia, podem revelar as profundezas do inconsciente, que segundo a psicanálise, são desejos que não queremos reconhecer, expressar, pois estão repletos de significados que por algum motivo estão proibidos de emergirem ao consciente.

Esse artigo pode ajuda-lo a entender melhor esses sonhos e atos falhos, e tem também como objetivo trazer o conceito do que é Psicanálise. Tema importante para quem quer saber mais sobre a mente humana. Esperamos que ele sirva para despertar em você, a busca pelo aprofundamento do saber dessa ciência.

Não é possível falar sobre Psicanálise sem mencionar o criador da Psicanálise, Sigmund Freud, médico neurologista austríaco (1856-1939). Ele desenvolveu um método psicanalítico que é um procedimento para a investigação dos processos mentais. Faz parte dessa investigação buscar pensamentos, emoções, sentimentos, atos falhos, sonhos, fantasias, desejos de cada individuo. Buscar, compreender, analisar.

Busca entender o que existe em seu inconsciente. Dessa forma, consegue identificar traumas, emoções, recalques que estão imobilizando o indivíduo para que o mesmo tenha uma vida psíquica mais saudável.

A Psicanálise basicamente se sustenta por:

 

  1. Um método de investigação do psiquismo e seu funcionamento
  2. Um sistema teórico sobre a vivência e o comportamento humano
  3. Um método de tratamento caracterizado pela aplicação da técnica de “Associação Livre”. Denominado também, como a cura pela fala.

 

Freud descobriu que muitos comportamentos conscientes eram diretamente influenciados por forças oriundas do inconsciente, como memórias, impulsos e desejos reprimidos. Entendeu que o inconsciente é a chave da psicanálise.

A psicanálise ainda, segundo os estudos de Freud, afirma que nossa mente não possui apenas a parte consciente. Ele fez um mapeamento da mente e dividiu em três níveis mentais: consciente, pré-consciente e inconsciente, chamado primeira tópica.

Consciente

 

O nível consciente nada mais é do que tudo aquilo do que estamos conscientes no momento, no agora. Ele corresponderia à menor parte da mente humana. Nele está tudo aquilo que podemos perceber e acessar de forma intencional. Outro aspecto importante é que o consciente funciona de acordo com as regras sociais, respeitando tempo e espaço. Isso significa que é por meio dele que se dá a nossa relação com o mundo externo.

O consciente seria, portanto, a nossa capacidade de perceber e controlar o nosso conteúdo mental. Apenas aquela parte de nosso conteúdo mental presente no nível consciente é que pode ser percebida e controlada por nós.

Pré-consciente

 

O pré-consciente é muitas vezes chamado de “subconsciente”, mas é importante destacar que Freud não utilizava esse termo. O pré-consciente se refere àqueles conteúdos que podem facilmente chegar ao consciente, mas que lá não permanecem. São, principalmente, informações sobre as quais não pensamos constantemente, mas que são necessárias para que o consciente realize suas funções.

Inconsciente

 

Inconsciente se refere a todo aquele conteúdo mental que não se encontra disponível ao indivíduo em determinado momento.

Ele representa não só a maior fatia de nossa mente, mas também, a mais importante. Quase todas as memórias que acreditamos estarem perdidas para sempre, todos os nomes esquecidos, os sentimentos e medos que conseguimos, de alguma forma, ignorar… todos esses elementos se encontram em nosso inconsciente.

A partir dessa estruturação deu vida à segunda tópica, construindo ao aparelho psíquico: Id, Ego, Supergo.

 

ID 

 

No Id não estão gravadas apenas as representações inconscientes, mas representações inatas, transmitidas filogeneticamente e pertencentes à espécie humana.

 

EGO 

 

O Ego, por sua vez, tem a função de realizar os desejos do Id. Mas para satisfazê-los, precisa adaptá-los à realidade, às regras sociais e às demandas do Superego. Enquanto o Id é guiado pelo Princípio de Prazer, o Ego segue o Princípio de Realidade.

 

SUPEREGO 

 

O Superego pode ser entendido, basicamente, como o ramo da moral, da culpa e da autocensura.

A teoria Freudiana, a teoria  psicanalítica está estruturada em 24 obras, tem a essência, predominantemente nessas três publicações:

Interpretação dos Sonhos – 1900 –  “O sonho é a estrada real que conduz ao inconsciente”

Psicopatologia da Vida Cotidiana, onde está contido os primeiros princípios da Psicanálise

Três ensaios sobre a Teoria da Sexualidade, onde consta o esboço básico de sua teoria.

Durante os próximos anos surgiram os discípulos da Teoria Psicanalítica de Freud, e esses introduziram novos conceitos, e expandiram o conhecimento da teoria.

Principais linhas psicanalíticas e uma breve explicação

Lacan

 

Jacques Lacan (1901-1981) médico e psicanalista seu modo de pensar a psicanálise teve uma tendência a se apoiar em conceitos mais filosóficos.

A abordagem lacaniana enfatiza a estrutura linguística. O indivíduo é formado através da linguagem. O mundo em que vivemos, de acordo com o psicanalista, é construído de símbolos e de significantes, conceito que define que um objeto, imagem ou situação pode representar outra coisa.

O indivíduo, portanto, consegue identificar esses símbolos por conta da linguagem.

A construção do “eu” é formada no interior. O que reside no íntimo de cada um tem ligação direta com o exterior. Para compreender uma pessoa como um todo, é necessário pensar em ambos os aspectos, e não apenas julgá-la sobre uma única ótica. Caso contrário, a análise do outro fica incompleta.

Neste contexto, Lacan estabelece a relação entre o “eu” e o outro, sendo a linguagem o instrumento de mediação entre eles.

Winnicott

 

O foco de Donald Winnicott (1896-1971) é a relação entre a criança e a mãe. Segundo ele, todos nós nascemos indefesos, porém, com grande potencial. Para que este possa se desenvolver propriamente, o ambiente precisa ser acolhedor e garantir a satisfação das necessidades básicas.

O ambiente familiar, econômico e social influencia diretamente a formação do indivíduo. Mas a mãe é o fator principal. O seu relacionamento e interações com o bebê são essenciais para que ele cresça bem. Assim, nasce o conceito da “mãe suficientemente boa”, referente à figura que satisfaz todas as necessidades e carências do bebê.

Consequentemente, os transtornos mentais seriam resultado tanto de um relacionamento defeituoso com a mãe quanto de um ambiente desfavorável.

A criança não desenvolve apropriadamente o seu lado emocional, resultando em uma série de complicações na vida adulta. O ambiente deficiente exerce influência até mesmo em bebês recém-nascidos.

 

Klein 

 

Melanie Klein (1882-1960) dedicou-se a estudar a mente das crianças para descobrir seus medos, fantasias e angústias.

Ela desenvolveu a análise do comportamento delas por meio da brincadeira para ter acesso ao inconsciente da criança já que a associação livre de Freud dificilmente seria usada com indivíduos de pouca idade.

Diferente de Freud, Klein apontou a agressividade como elemento primordial no desenvolvimento da criança em vez dos aspectos sexuais. Este é resultante de um ego primitivo existente desde o nascimento.

Além disso, fundou uma teoria da psicanálise referente às fantasias do inconsciente. Estas são elaboradas pelas crianças sobre suas mães, geralmente criando uma imagem mais malvada do que a realidade. As fantasias são inatas porque representam os instintos mais primitivos da criança.

Para ter acesso a essas fantasias, o psicanalista precisa inserir o lúdico no tratamento com a criança e estimular brincadeiras para encorajar determinados comportamentos.

Jung

 

Carl Gustav Jung (1875-1961) – A Teoria junguiana defendeu a existência de um inconsciente coletivo, pertencente a toda humanidade. Afirmando que a humanidade possui uma herança psicológica que é dividida entre todos os membros da espécie. Por conta dela, temos acesso a um material psíquico que não é oriundo de experiências pessoais.

Jung criou alguns dos mais conhecidos conceitos psicológicos, incluindo o arquétipo, o inconsciente coletivo, o complexo, e a sincronicidade.

Vários outros grandes pensadores deram continuidade e vida a Psicanálise. Mas podemos explorar os demais pensadores em outros artigos, por se tratar de um tema extenso.

 

É possível acessar o nosso inconsciente, trazendo para o consciente as nossas emoções, lembranças, desejos, buscando a cura pela fala, que pode nos devolver assim, a plenitude psíquica e com isso termos uma vida mais equilibrada e feliz.

 

#Psicanálise + Felicidade

Carla Copetti