O conceito de Superego, veio ao mundo em 1923 e adquiriu nesse momento não só um nome próprio, como também um certificado de origem, uma identidade, um endereço no aparelho psíquico, fruto de uma longa gestão, que absorveu quase 30 anos de trabalho de Sigmund Freud.

Em linhas gerais podemos dizer que o Superego se desenvolve a partir do Ego e consiste na representação dos ideais e valores morais e culturais do indivíduo.

O Superego atua como um “conselheiro” para o Ego. Isto porque o alerta sobre o que é ou não moralmente aceito, segundo os princípios que foram absorvidos pela pessoa ao longo de sua vida.

Superego é um conceito desenvolvido por Freud. É uma parte da nossa personalidade, responsável pelos preceitos morais.

Freud, avalia que é o caminho normativo da estrutura psíquica. É no superego que está nossa renúncia ao prazer em favor do benefício da vida coletiva em sociedade.

O superego é um elemento estrutural do aparelho psíquico, responsável pela imposição de sanções, normas e padrões.

A sua formação é decorrente da introjeção dos conteúdos “superegóicos” provenientes dos pais, e começa a ser constituir com a resolução dos conflitos edípicos da fase fálica, a partir de aproximadamente cinco ou seis anos.

Mas o que é Complexo de Édipo?

 

Para definirmos o “complexo de édipo, contamos com a ajuda de Laplanche e Pontalis (1992), que o caracteriza como um:

Conjunto organizado de desejos amorosos e hostis que a criança sente em relação aos pais. Sob a sua forma dita positiva.

O complexo apresenta-se como na história de Édipo-Rei: desejo da morte do rival que é a personagem do mesmo sexo e desejo sexual pela personagem do sexo oposto.

Sob a sua forma negativa, apresenta-se de modo inverso: amor pelo progenitor do mesmo sexo e ódio ciumento ao progenitor do sexo oposto.

Na realidade, essas duas formas encontram-se em graus diversos na chamada forma completa do complexo de Édipo.

Segundo Freud, o apogeu do complexo de Édipo é vivido entre os três e os cinco anos, durante a fase fálica; o seu declínio marca a entrada no período de latência.

É revivido na puberdade e é superado com maior ou menor êxito num tipo especial de escolha de objeto.

O complexo de Édipo desempenha papel fundamental na estruturação da personalidade e na orientação do desejo humano.

Para os psicanalistas, ele é o principal eixo de referência da psicopatologia. (p. 77)

Dentro desse conceito, podemos inferir que estamos diante de um ciclo onde esse evento pode ocorrer de novo.

Para que esse ciclo seja interrompido cria-se as normas sociais: o moral, o certo e o errado, a educação, para ensinar de não matar novamente, as leis, o divino entre outros conceitos.

O que é o superego de fato?

 

Dessa forma podemos inferir que o Superego é um herdeiro do complexo de édipo e começa a se constituir a partir do momento em que a criança renuncia ao e/ou mãe, como objeto de amor e ódio.

Nesse momento a criança se desprende da figura dos pais e começa a valorizar a interação com outras pessoas.

Nessa fase as suas atenções para relacionamentos com seus companheiros, nas atividades escolares, esportivas e tantas outras habilidades. 

O Complexo de Édipo

 

Assim a constituição do superego contará com aparatos adquiridos com a passagem pelo complexo de Édipo, mas também com subsídios incorporados das imagens, falas e atitudes dos pais e pessoas significativas para o mundo infantil.

Na resolução do conflito edipiano, predominará na menina o superego materno e no menino, o superego paterno, embora conforme a cultura (patriarcal ou matriarcal) o pai ou a mãe assumam o papel na formação do superego de ambos os sexos.

O superego surge desse modo, como noção de certo e errado, não apenas como fonte de punição e ameaça, mas também de proteção e amor.

Ele exerce autoridade moral sobre as ações e o pensamento, surgindo a partir de então atitudes como vergonha, repulsa e moralidade, com o objetivo de fazer frente à tempestade ulterior da puberdade e a alicerçar o caminho dos desejos sexuais que vão despertando. (Fadiman & Frager, 1986, p.15)

“Pode-se então afirmar que o princípio que rege o superego é o moral, o que o torna responsável pela repreensão dos impulsos sexuais não resolvidos na fase fálica, (período entre cinco e dez anos denominado latência). Nessa fase os impulsos pré-genitais que não lograram êxito, serão, a partir de então, recalcados ou transformados em atividades socialmente produtivas” 

Nas “Novas Conferências Introdutórias Sobre Psicanálise”, em especial na “Conferência XXXI: A dissecção da personalidade psíquica” (1933), Freud retoma a construção do aparelho psíquico e o superego aparece nos moldes da cisão que:

O superego de acordo com a psicanálise

 

Superego é o aspecto moral da personalidade do indivíduo, de acordo com a Teoria da Psicanálise de Sigmund Freud.

O superego é responsável por “domar” o Id, ou seja, reprimir os instintos primitivos com base nos valores morais e culturais.

Ao lado do Id e do Ego, o Superego compõe a chamada Teoria da Personalidade, desenvolvida por Freud no âmbito dos seus estudos sobre a psicanálise.

Como dito, o Superego age como parte da estrutura da personalidade cultural do indivíduo, representando a construção de todos os valores sociais que foram absorvidos pela pessoa ao longo da vida e que atuam como controladores dos instintos “animalescos”.

Todos os ideais internalizados e que formam o Superego são adquiridos através dos valores familiares particulares de cada indivíduo, assim como aqueles partilhados pela sociedade em que está inserido, por exemplo.

O Superego atua em todos os três níveis de consciência do ser humano: consciente, pré-consciente e inconsciente.

Em alguns casos, quando ocorre o sentimento de culpa por algo que a pessoa não consegue entender o motivo.

Pode significar que houve a atuação do Superego no âmbito do inconsciente, tentando suprimir as vontades do Id.

Considerações finais:

 

O superego é um conceito complexo e paradoxal, que não se restringe somente a consciência moral, não é um simples herdeiro do complexo de édipo, não é uma mera identificação com o “pai”.

O superego pode ser também uma estrutura autocrítica destrutiva, que irá assombrar o ego. Hora pode apresentar-se benevolente, hora pode ser mais cruel.

Em outras palavras, se entendermos que a destrutividade supergóica é fruto da fragilidade do ego, é esta estrutura que devemos fortalecer, ao invés de esperar bondades do superego.

Já dizia assim: Migliavacca (2004), se conhecer-se e trágico, não se conhecer é desastroso. P. 103.

 

Carla Copetti

Psicóloga e Psicanalista em formação