O começo de tudo…

Muitas são as pessoas que ainda se questionam sobre os benefícios da psicoterapia. 

A fim de esclarecer, traremos o contexto histórico onde, apesar do movimento antimanicomial e da reintegração de pacientes psiquiátricos, o aspecto histórico influenciou diretamente o preconceito e ele ainda está muito arraigada na nossa sociedade.

É interessante relembrar o que aconteceu antes do surgimento da psicanálise, recuando um pouco na história da psiquiatria que provavelmente ter-se-á iniciado ao mesmo tempo que a história da própria medicina segregava, nos posteriormente conhecidos manicômios. 

Sem entrar no contexto social e político, os “loucos” substituíram os leprosos na política de segregacionamento. Inicialmente uma questão de ordem econômica e política justificava esse enclausuramento. Pressionada pela necessidade de afirmação e poder da classe burguesa, no nosso mundo ocidental, a psiquiatria vai nascer para proteger a sociedade contra a “loucura”.

Por volta de 1656, o Hospital Geral de Paris chegou a abrigar 6.000 pessoas entre mendigos, vagabundos, loucos e desempregados, sendo assim o 1° marco do início desse processo de reclusão arbitrária.

 

Um pouco mais de história

O combate à degradante concepção das doenças mentais teve seu ápice no gesto do médico francês Philipe Pinel (1745-1826), diretor do manicômio de Bicêtre, nos arredores de Paris, que impressionado pelas condições sub-humanas conseguiu a 24 de maio de 1798 autorização da comuna revolucionária parisiense para libertar os asilados, muitos deles algemados há mais de 30 anos. Seus estudos e reformas constituíram a Primeira revolução psiquiátrica, introduzindo os conceitos de moral e liberdade.
Progressivamente, as funções carcerárias foram substituídas por funções médicas, passando a loucura a ser ocupada pela psiquiatria que, mesmo sem querer, transformou o doente mental numa pessoa sem direitos, privada de todo valor social. O seu dizer valia menos do que o seu agir; mais considerado como um objeto e não como uma pessoa, o “louco” ia sendo enquadrado numa realidade nosográfica segundo o esquema tradicional: diagnóstico — prognóstico — terapêutica.
A intenção do psiquiatra era constatar a doença, sem considerar a pessoa. O doente não sendo valorizado no seu discurso deixa-se perder no interrogatório que lhe é imposto, deixando-se também que se escape sua história pessoal.
Esta situação dos hospitais começa a incomodar, provocando críticas das estruturas asilares que pretendiam a modificação destes locais de encarceramento da loucura. E é então, neste momento, no século XIX, que vão surgir as ideias inovadoras de Freud, com seus novos enfoques sobre a compreensão da mente humana. Freud com a noção do inconsciente dinâmico vai contribuir decisivamente para a abertura de muitos questionamentos e recolocar a compreensão da loucura.

A luta não foi pequena. Freud encontrou inúmeras resistências por parte da psiquiatria conservadora, com obstáculos à sua expansão. Aceitar as noções do inconsciente e as novas ideias sobre a teoria da sexualidade significava romper com a mera causalidade orgânica sobre a qual a psiquiatria se estabelecera. A psicanálise abalava as ideias até então estabelecidas.

Podemos ver o reflexo desta condição histórica no filme Nise, o coração da loucura (2015). A partir da “arte do inconsciente”, Nise da Silveira possibilitou a invenção de outra relação com os internos do hospício Pedro II, no Rio de Janeiro, em meados da década de 1940. De forma geral, destaca as intervenções psiquiátricas operadas na época para mostrar um contraste entre os tratamentos que eram prescritos no hospital e as práticas implementadas por ela. Desta forma o trabalho de Nise, contribuiu para a teoria psicanalítica e seu reconhecimento o que podemos ver com a fundação do Museu do Inconsciente.

 

Assim nasce a Psicoterapia, como a conhecemos hoje,  um processo de tratamento pautado em métodos científicos e propósitos psicológicos, através de estratégias de intervenção utilizada por terapeutas/ psicólogos/ psicanalistas clínicos para cuidar das dificuldades humanas e resolução de crises vitais/acidentais. 

Dezenas de pesquisas neurológicas provam que sessões de psicoterapia modificam conexões neurais e padrões de comportamento. À medida que as ideias de Freud foram sendo questionadas, novos tratamentos surgiram. Das mais de 400 técnicas diferentes que existem hoje, a maioria apareceu a partir da década de 1960, quando a revolução sexual fez as pessoas dar mais importância ao bem-estar do corpo e da mente. Diversas são as abordagens utilizadas, assim como diversos são os benefícios.

E são estes alguns dos exemplos: melhor adaptação familiar, social, melhorias no enfrentamento de situações críticas, com psicoterapias individuais, de casais ou grupais, sempre focando melhorias na qualidade de vida dos pacientes. 

Com referência a Psicanálise especificamente, conceituada pelo Dr. Sigmund Freud trata-se de uma disciplina científica de investigação dos processos mentais inconscientes através da fala. Pesquisas com neuroimagem funcional, método que fotografa o fluxo sanguíneo no cérebro, estão provando que a terapia baseada na fala causa, sim, efeitos permanentes no nosso sistema de aprendizagem, na memória e no processamento de emoções.

Alguém pode logo dizer que não é privilégio da psicoterapia alterar redes neurais. E não é mesmo. Com maior ou menor intensidade, as experiências da nossa vida provocam mudanças na atividade cerebral – como, por exemplo, na hora em que ouvimos a seleção de músicas da nossa banda favorita, recebemos a notícia triste da morte de alguém ou damos uma boa caminhada no parque.

 “O que é bastante recente é o reconhecimento da comunidade científica sobre a intensidade e a permanência das mudanças alcançadas pela psicoterapia. Não se imaginava que o funcionamento do cérebro pudesse ser alterado tão dramaticamente pelo tratamento, e com benefícios tão duradouros”, diz o psicólogo e neurocientista Marco Montarroyos Callegaro.

Um bom argumento para quebramos o preconceito é os dados da OMS que afirma que os diagnósticos de ansiedade cresceram em 15% nos últimos 10 anos, com incidência de quadros ansiosos em crianças, jovens e adultos em idade ativa ou não.

Sem sombra de dúvidas, temos um grande problema cultural para não darmos manutenção no preconceito.  Muitos brasileiros ainda relacionam o fato de buscar apoio de um psicólogo ou de um psiquiatra com a emissão de um “atestado de loucura”. Para alguns, depressão é apenas uma tristeza passageira. Ansiedade é vista como algo corriqueiro e comum, muitas vezes relatada em entrevistas de emprego como “oportunidade de melhoria”. 

Esse preconceito é tão comum, que Jout Jout Prazer, youtuber e influenciadora digital, chegou a gravar o vídeo “Psiquê Humana” sobre isso. De uma forma descontraída você pode entender um pouco mais.

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