O Pai da Psicanálise

“A felicidade é um problema individual. Aqui, nenhum conselho é válido. Cada um deve procurar, por si, tornar-se feliz.” Sigmund Freud

Descrever quem foi esse magnífico médico neurologista e psiquiatra é tão prazeroso como conhecer suas obras, obras extensas, intensas e defendidas com primazia por ele e criticada por muitos, durante anos.

Sigmund Schlomo Freud nasceu no dia 06 de maio de 1856, na cidade de Freiberg, na Morávia, a 160 km de Viena capital da Áustria.

Ele foi o primeiro dos oito filhos do casal Jacob e Amália. Seu pai era judeu e trabalhava como comerciante de lã. Sua família mudou-se para Viena, quando Sigmund tinha quatro anos. Na época Viena era o berço de grandes produções nas áreas de cultura, arte, música, literatura e ciências.

Desde criança, os pais de Freud dedicavam-lhe um certo tratamento especial em relação aos outros irmãos. Sua mãe chamava-o de “meu Sig de ouro”. Sigmund sempre foi muito estudioso, tinha notas altas e estudava outras línguas por conta própria.

Era considerado um autodidata, quando tinha 12 anos Freud já lia obras de William Shakespeare. Ainda na adolescência, começou a escrever um diário dos seus sonhos.

Entrou na Faculdade Medicina na Universidade de Viena em 1873. Depois de sua formação, em 1881, queria trabalhar com pesquisa, mas como precisava juntar dinheiro, para o seu casamento, optou por atender em um consultório situado na capital (Atualmente, o Museu de Freud de Viena).

Aos 26 anos, Freud apaixonou-se por uma moça chamada Martha Bernays. Com dois meses de relacionamento, ficaram noivos. O médico casou-se com ela aos 30 anos e, juntos, tiveram seis filhos.

O médico austríaco era um homem reservado, tímido e discreto. Tinha fobia de viajar, era viciado em charutos e chegava a fumar de 20 a 25 desses por dia. Segundo ele, precisava fumar o charuto para manter-se criativo.

 

Durante os anos de faculdade, deixou-se fascinar pelas pesquisas realizadas no laboratório fisiológico dirigido pelo Dr. E. W. von Brucke.

 

Linha do Tempo

 

De 1876 a 1882, trabalhou com esse especialista e depois no Instituto de Anatomia sob a orientação de H. Maynert.

 

Concluiu o curso em 1881 e resolveu tornar-se um clínico especializado em neurologia.

 

Durante alguns anos, Freud trabalhou em uma clínica neurológica para crianças, onde se destacou por ter descoberto um tipo de paralisia cerebral que mais tarde passou a ser conhecida pelo seu nome.

 

Em 1884 entrou em contato com o médico Josef Breuer que havia curado sintomas graves de histeria através do sono hipnótico, onde o paciente conseguia se recordar das circunstâncias que deram origem à sua moléstia. Chamado de “método catártico” constituiu o ponto de partida da psicanálise.

 

Em 1885, Freud obteve o mestrado em neuropatologia. Nesse mesmo ano ganhou uma bolsa para um período de especialização em Paris, com o neurologista francês J. M. Charcot.

 

De volta a Viena, continuou suas experiências com Breuer. Publicou, junto com Breuer, Estudos sobre a Histeria (1895), marcando assim em definitivo o início de suas investigações psicanalíticas.

 

Em 1897, Ele passou a estudar a natureza sexual dos traumas infantis causadores das neuroses e começou a delinear a teoria do “Complexo de Édipo”, segundo o qual seria parte da estrutura mental dos homens o amor físico pela mãe.

Nesse mesmo ano, já observava a importância dos sonhos na psicanálise. Em 1900 publica A Interpretação dos Sonhos, a primeira obra psicanalítica propriamente dita.

Freud, o Pai da Psicanálise

Em pouco tempo, Freud conseguiu dar um passo decisivo e original que abriu perspectivas para o desenvolvimento da psicanálise ao abandonar a hipnose, substituindo-a pelo método das livres associações, passando então a penetrar nas regiões mais obscuras do inconsciente, sendo o primeiro a descobrir o instrumento capaz de atingi-lo e explorá-lo em sua essência.

 

Durante dez anos, Freud trabalhou sozinho no desenvolvimento da psicanálise. Em 1906, a ele juntou-se Adler, Jung, Jones e Stekel, que em 1908 se reuniram no primeiro Congresso Internacional de Psicanálise, em Salzburg.

 

O primeiro sinal de aceitação da Psicanálise no meio acadêmico surgiu em 1909, quando foi convidado a dar conferências nos EUA, na Clark University, em Worcester.

 

Em 1910, por ocasião do segundo congresso internacional de psicanálise, realizado em Nuremberg, o grupo fundou a Associação Psicanalítica Internacional, que consagrou os psicanalistas em vários países.

 

Entre 1911 e 1913, Freud foi vítima de hostilidades, principalmente dos próprios cientistas, que, indignados com as novas ideias, tudo fizeram para desmoralizá-lo. Adler, Jung e toda a chamada escola de Zurique separaram-se de Freud.

 

Em 1923, Freud foi diagnosticado com câncer na mandíbula e na boca. Passou por várias cirurgias para retirar tumores. Tirou também parte da sua mandíbula e passou a usar uma prótese. Nos 16 anos seguintes, continuou sofrendo com a doença.

 

Quando os nazistas chegaram à Áustria em 1938, Freud e sua família tiveram que fugir para Londres. No entanto, quatro das suas irmãs morreram, mais tarde, em campos de concentração. Na ocasião, alguns livros de Freud foram queimados.

 

Sigmund Freud morreu em 23 de setembro 1939, com 83 anos de vida, na sua casa, em Londres, onde hoje funciona o Museu Freud de Londres. Relatos apontam que ele faleceu depois que seu médico aplicou-lhe três doses de morfina.

 

Encontra-se sepultado no crematório de Golders Green, no bairro de Golders Green, em Londres, na Inglaterra.

Freud e Martha tiveram seis filhos:

Mathilde, nascida em 1887, Jean-Martin, nascido em 1889, Olivier, nascido em 1891, Ernst, nascido em 1892, Sophie, nascida em 1893 e Anna, nascida em 1895. Um deles, Martin Freud, escreveu uma memória intitulada Freud: Homem e Pai, na qual descreve o pai como um homem que trabalhava extremamente, por longas horas, mas que adorava ficar com suas crianças durante as férias de verão. Anna Freud, filha de Freud, foi também uma psicanalista destacada, particularmente no campo do tratamento de crianças e do desenvolvimento psicológico. Sigmund Freud foi avô do pintor Lucian Freud e do ator e escritor Clement Freud, e bisavô da jornalista Emma Freud, da desenhista de moda Bella Freud e do relações públicas Matthew Freud.

 

Sem sombra de dúvida foi um dos nomes mais influentes e polêmicos da sua época. Freud realizou diversas contribuições para as áreas de medicina, psicologia, literatura, filosofia, política, entre outras. No entanto, seu principal legado, enquanto profissional foi para a área da saúde e especialmente da mente humana, é ter criado uma importante teoria, a psicanálise ou teoria freudiana.

 

Desde a criação desse estudo, o procedimento psicoterápico é um dos mais usados em pacientes de todo o mundo.

 

Em memória a sua vida e obra existe dois museus com o seu nome. Museu Sigmund Freud de Viena e Museu Freud de Londres

 

Museu Sigmund Freud de Viena

A casa onde viveu e trabalhou situa-se em Bergasse 19, em Viena. Hoje, o local é um museu aberto ao público. Nele os visitantes podem apreciar diversas fotos, objetos e móveis, também há uma biblioteca.

Como Freud inclusive atendia seus pacientes no imóvel, pode-se conferir nele a sala de espera e o consultório. Estima-se que o médico tenha tratado mais de 500 pacientes

 

Museu Freud de Londres

 

No último ano de sua vida, Freud morou em uma casa situada no número 20 da Maresfield Gardens, em Hampstead, em Londres. Em 1986, o espaço tornou-se um museu dedicado ao antigo morador.

Na casa, os visitantes podem verificar o famoso divã usado por seus pacientes. No local, há vários de seus pertences, entre os quais está sua enorme coleção de civilizações antigas, com mais de duas mil peças.

 

Depois que Freud morreu, sua filha Anna continuou a morar na casa, por 44 anos, trabalhando como psicanalista, especialmente com crianças.

 

 

Confira as obras mais famosas de Sigmund Freud:

  • Estudos sobre a histeria (1895)
  • A interpretação dos sonhos (1900)
  • A psicopatologia da vida cotidiana (1901)
  • Três ensaios sobre a teoria da sexualidade (1905)
  • Piadas e sua relação com o inconsciente (1905)
  • Além do princípio do prazer (1920)
  • O mal-estar na civilização (1930)
  • Civilização e seus descontentes (1931)